Indústria ferroviária prevê mais locomotivas e vagões em 2025 e questiona negócios com a China

Folha de S. Paulo – A indústria ferroviária brasileira projeta ampliar neste ano o total de locomotivas e vagões fabricados, mas prevê redução no total de carros de ageiros produzidos. Os dados mostram que até mesmo a queda na previsão de carros de ageiros para 2025 não é necessariamente uma notícia péssima para o setor, se comparada com anos anteriores.

Apesar disso, a Abifer (Associação Brasileira da Indústria Ferroviária) se viu ameaçada pela possibilidade de o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva fechar negócios com a China para a produção de trens e publicou comunicado demonstrando “indignação” e pedindo prioridade à indústria nacional.

Se os números se confirmarem ao final do ano, as 75 locomotivas produzidas significarão o melhor desempenho da indústria nacional desde 2017, ano em que elas fabricaram 81 unidades. Em 2024, foram 54, o que indica que este ano pode representar um salto de 38,8% no número de locomotivas produzidas no país.

O cenário também é positivo em relação aos vagões, que podem ar dos 1.547 fabricados no ano ado para 1.700, ou 9,89% a mais.

E, no caso dos carros de ageiros, apesar de a projeção indicar queda de 17,5% (de 228 para 188), o número previsto ainda é o segundo melhor desde 2019, quando foram feitos 99. O total está longe do recorde histórico, de 2016, quando foram feitos 473 carros, mas também muito acima do pior momento já registrado, em 2022, ano em que a indústria não produziu sequer um carro de ageiros.

Os números mostram, na avaliação da Abifer, que a indústria instalada no país é um pilar para o desenvolvimento econômico e social e que não há vácuo a ser ocupado, ao criticar o que considera possibilidade de o Brasil fechar negócio com a China para a produção de trens.

Em nota na segunda-feira (12), a associação e o Simefre (Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários) manifestaram indignação sobre a possibilidade do estabelecimento de uma parceria ferroviária entre os governos brasileiro e chinês.

“Embora a cooperação internacional seja essencial em muitos setores, é imprescindível que o Brasil priorize e valorize sua própria indústria ferroviária, que possui um sólido histórico de qualidade, inovação e capacidade produtiva”, diz a nota, assinada pelo presidente da Abifer, Vicente Abate, e o 1º Vice-presidente do sindicato, Massimo Giavina.

De acordo com eles, o Brasil precisa zelar pela capacidade do setor e garantir a geração de emprego.

“Não há vácuo na indústria nacional a ser ocupado, ao contrário, quem arcou com estes elevadíssimos índices de ociosidade pela inconstância de pedidos, fomos nós, indústria ferroviária”, dizem.

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/blogs/sobre-trilhos/2025/05/industria-ferroviaria-preve-mais-locomotivas-e-vagoes-em-2025-e-questiona-negocios-com-a-china.shtml

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